sexta-feira, 14 de junho de 2013



 FÉ

 
Por: Fernando Moura Gonçalves





DEFINIÇÃO

(do Latim fides, fidelidade e do Grego pistia ) é a firme opinião
de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta idéia ou fonte de transmissão.
A acompanha absoluta abstinência a duvida pelo antagonismo inerente a natureza destes fenômenos psicológicos e lógica conceitual. Ou seja, é impossível duvidar e ter Fé ao mesmo tempo. A expressão se relaciona semanticamente com os verbos crer, acreditar e confiar.
E possível nutrir um sentimento de Fé em relação a uma pessoa, um objeto inanimado, uma ideologia, um pensamento filosófico, um sistema qualquer, um conjunto de regras, um paradigma popular social e historicamente instituído, uma base de propostas ou dogmas de uma determinada religião. Tal sentimento não se sustenta em evidencias, provas ou entendimento racional (ainda que este ultimo critério seja amplamente discutido dentro da epistemologia) e, portanto, alegações baseadas em Fé não são reconhecidas pela comunidade cientifica como parâmetro legitimo de reconhecimento ou avaliação da verdade de um postulado.


A FÉ RELIGIOSA

Para entendermos a fé religiosa devemos entender o conceito de Dogma.

              DOGMA
O termo DOGMA está ligado à ideologia, ou conjunto de princípios que servem de base à um sistema religioso, político, filosófico, científico, entre outros.
São verdades absolutas que não permitem a discussão. São um conjunto lógico, sistemático de representações (idéias, valores) e de normas ou regras (de conduta) Indicam ou prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem pensar, o que devem valorizar e como devem valorizar, o que devem sentir, fazer e como. Possui caráter prescritivo, normativo, regulador, cuja função é dar aos membros de uma sociedade dividida em classes uma explicação racional para as diferenças sociais, políticas e culturais.
No campo religioso dogma é uma verdade divina, revelada e acatada pelos fiéis. Dogmas são encontrados em muitas religiões como o cristianismo, islamismo e o judaísmo, onde são considerados princípios fundamentais que devem ser respeitados por todos os seguidores dessa religião. No catolicismo os dogmas surgem das Escrituras e da autoridade da Igreja Católica. No Catolicismo, o dogma é uma verdade revelada por Deus. Com isto o Dogma é imutável e definitivo (não pode ser revogado).
A rejeição do dogma é considerado heresia ou blasfêmia em determinadas religiões, e pode levar à expulsão do grupo religioso.


FÉ E RELIGIÃO

A FÉ SEGUNDO A SAGRADA ESCRITURA

Antigo Testamento
No Antigo Testamento, o termo “fé” é utilizado basicamente para expressar um relacionamento interpessoal com Deus. “Crer, de fato, significa, no AT, entregar-se a Deus (Gn 15,6; Ex 14,31; Nm 14,11), entregar-se à palavra salvífica de um Deus que
conduz a história e que fez aliança primeiro com os pais e depois com ‘seu povo’, Israel” (Latourelle, 1994, p. 319). Desde Abraão, a palavra de Deus já trata de crença e de fé.
Em Gn 22,1 a fé de Abraão é testada e esse, além de mostrar uma obediência fiel à voz
de Javé, expressa também uma confiança firme em Deus (Gn 22,8-14). Aqui fé,
obediência e confiança caminham juntas. O termo “fé” é utilizado para designar o ato de
ser firme e fiel a algo. Trata-se ainda do ato de aceitar algo como firme ou verdadeiro.
Na Antiga Aliança, Deus se revela ao povo escolhido. Por amor, Javé revela-se a seu povo, esse do qual o próprio Senhor espera uma resposta pessoal, que se manifesta
na adesão de Sua palavra e vontade, ou seja, na fé. A partir da revelação de Deus é que
se torna possível ter fé.
A libertação da escravidão e a conquista da terra prometida tornar-se-ão o ponto central da fé do povo judeu. “O reconhecimento de tais benefícios para Israel e para todos os homens permanecerá sempre a essencial ‘confissão de fé’ do AT” (Lacoste, 2004, p. 719).

 Novo Testamento
Para Latourelle, o Novo Testamento devido a seu caráter interpessoal, esta fé é naturalmente semelhante à do AT. É respectivamente confiança e entrega a Deus, presente na palavra e na ação de Jesus (sinóticos);
No Novo Testamento a fé é tratada de várias maneiras. Nos evangelhos sinóticos
encontramos como tema central a pessoa histórica de Jesus. Aqui o Senhor anuncia a
chegada do Reino de Deus, e pede, em resposta, a fé daqueles que o ouvem (cf. Mc
1,15), aceitando, assim, o plano de Deus.
Essa fé que Jesus pede a seus seguidores é algo radical e libertador, capaz de
curar o coração, o corpo e a alma dos fiéis.

A fé é algo universal, independente da crença e da cultura, o homem busca respostas em algo que está além da sociedade, além das regras impostas pelo cotidiano e muitas vezes, além da medicina e da ciência.
De acordo com a Bíblia Sagrada Cristã, (1997) no livro do novo testamento carta
aos Hebreus capítulo11 e versículo 1º, o autor aborda a fé da seguinte maneira: .Ora, a fé é firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
Neste contexto vemos a fé como o agir sobrenatural, isto é, a crença em algo que
não existe leva o homem a conquistar seu objetivo através da fé.
De acordo com Fabry (1984), em “A Busca do Significado”, o homem tem fé na
existência de uma dimensão divina, mas, ainda que seja incapaz de concebê-la, sente a necessidade de estabelecer uma relação com este mistério. A base da religião seja qual for o nome que chamemos, não pode desintegrar-se, diminuir ou desaparecer, porque é eterna e infinita.

A FÉ E A GNOSE

Segundo os antigos teólogos da escola de Alexandria.
Ao atingir a “gnose”, o homem recebe a possibilidade de saber qual o sentido
verdadeiro do ato de crer. Isso só é completo quando o sujeito atinge a perfeição ao
cumprir fielmente o plano e os mandamentos de Deus.
Clemente de Alexandria, e outros cristãos, propagavam que a fé é a “gnose”
verdadeira, ou a certeza da verdade de fé que se converte em amor e cumprimento dos
mandamentos de Deus. Para eles existe uma dupla conversão no homem. Primeiramente
ele se converte aos paradigmas da fé, ou seja, aceita o que ela afirma como verdade. Em
um segundo momento converte-se da fé para a “gnose”, a qual se converte, por sua vez,
em amor e estabelece uma relação entre conhecer e o conhecido que é Deus, o revelado.
Nesse sentido, escreve Urbina:
Como resultado da controvérsia gnóstica, tornou-se claro que a fé é resposta do homem a Deus que garante a certeza e segurança da fé. Ao mesmo tempo, o início da fé se mostra como resultado de uma ação moral. Uma vez que o homem crê, a fé  afeta o conjunto de sua ação moral (Urbina, 1998, p. 238).

FÉ, RAZÂO E RACIOCÍNIO

No seu aspecto religioso, a fé é a crença nos dogmas particulares que constituem as diferentes religiões, e todas elas têm os seus artigos de fé. Nesse sentido, a fé pode ser raciocinada ou cega. A fé cega nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro, e a cada passo se choca com a evidência da razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Quando a fé se firma no erro, cedo ou tarde desmorona. Aquela que tem a verdade por base é a única que tem o futuro assegurado, porque nada deve temer do progresso do conhecimento, já que o verdadeiro na obscuridade também o é a plena luz. Cada religião pretende estar na posse exclusiva da verdade, mas preconizar a fé cega sobre uma questão de crença é confessar a impotência para demonstrar que se está com a razão.
Os conceitos modificam-se e evoluem com a evolução da propria humanidade, o conceito de Fé também, já ha alguns séculos algumas correntes religiosas propagam o conceito de Fé Raciocinada, tal apoio vem também do campo filosófico, Kant, em 1792, ao escrever a obra Der Sieg des guten Prinzips über das böse und die Gründung
eines Reichs Gottes auf Erden (A vitória do princípio bom sobre o princípio mau e a constituição de um reino de Deus sobre a terra), afirma ainda cheio de otimismo:
"A passagem gradual da fé eclesiástica ao domínio exclusivo da pura fé religiosa constitui a aproximação do reino de Deus".
Nessa obra, o "reino de Deus" anunciado nos Evangelhos recebia como que uma nova definição e uma nova presença:
A Revolução podia apressar a passagem da fé eclesiástica à fé racional;
onde chegasse a Revolução a "fé eclesiástica" seria superada e substituída pela "fé religiosa", ou seja, pela "fé racional."
Na evolução para a Fé raciocinada, a fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário
sobretudo compreender. A fé cega não é mais deste século. É precisamente o dogma da fé cega que hoje em dia produz o maior número de incrédulos. Porque ela quer impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: a que se
constitui do raciocínio e do livre-arbítrio. É contra essa fé, sobretudo, que se levanta o incrédulo, o que mostra a verdade de que a fé não se impõe. Não admitindo provas, ela deixa no espírito um vazio, de que nasce a dúvida. A fé raciocinada, que se apóia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade: crê-se, porque se tem à certeza, e só se está certo quando se compreendeu. Eis porque ela não se dobra: porque só é inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.


FÉ E A SAUDE

A crença religiosa parece reduzir a ansiedade e stress, segundo estudo da Universidade de Toronto, no Canadá, que encontrou diferenças no funcionamento do cérebro de crentes e não-crentes durante uma tarefa cognitiva complexa.
Os pesquisadores aplicam o teste de Stroop em que os voluntários vêem nomes de cores (ex.azul, verde, amarelo) e tem de responder em que cor estas palavras estão escritas (porque o azul está grafado em verde, o verde em amarelo, por exemplo). O que se mede é o tempo de reação entre a apresentação do estímulo e a resposta correta. Enquanto eram submetidos ao teste, os participantes tiveram seu cérebro escaneado por ressonância magnética funcional.
Comparado aos não-crentes, os que haviam declarado sua fé tiveram menor
ativação do córtex cingulado anterior, uma região do cérebro associada à atenção, principalmente em resposta a eventos geradores de ansiedade, como os que podem resultar em erros. Quanto mais intensa a fé religiosa do indivíduo – foi avaliada por escala subjetiva – menor a atividade dessa área cerebral e menor a quantidade de erros cometidos no teste de Stroop. Segundo os autores, os resultados indicam que os crentes ficam menos ansiosos e estressados diante de possibilidade de cometer erros e, como
conseqüência, erram menos. No entanto, os autores lembram que a ansiedade é uma “faca de dois gumes”. “Obviamente ela pode ser negativa se estiver muito alta, porque paralisa a pessoa”, diz Michael Inzlicht, que assina o artigo publicado na revista Psychological Science. “Mas algum grau de ansiedade é importante para nos alertar sobre nossos próprios erros. Do contrário, como poderíamos mudar e melhorar nosso
desempenho?”, questiona o psicólogo canadense, sugerindo que mais estudos são necessários para se compreender a relação entre ansiedade e crença religiosa no cérebro humano.


 
CONCLUSÃO
O ato de crer em alguma coisa demanda a necessidade do sentimento e do raciocínio, para que a alma edifique a em si mesma.
Admitir as afirmativas mais estranhas, sem um exame minucioso,é caminhar para o desfiladeiro do absurdo, onde os fantasmas dogmáticos conduzem as criaturas a todos os despautérios.
Mas também interferir nos problemas essenciais da vida, sem que a razão esteja iluminada pelo sentimento, é buscar o mesmo declive onde os fantasmas impiedosos da negação conduzem as almas a muitos crimes.
Toda dúvida que se manifesta na alma cheia de boa-vontade, que não se precipita em definições apriorísticas dentro de sua sinceridade, ou que não busca a malícia para contribuir em suas cogitações, é um elemento benéfico para a alma, na marcha da inteligência e do coração rumo à luz sublimada da .
Adquiramos nossos valores em matéria de , na seqüência das lutas, esforços e sacrifícios. Porém, o tesouro maior da existência terrestre reside na consciência reta e pura, iluminada pela e edificada no cumprimento de todos os deveres mais elevados. Usemos a Fé como agente aglutinador da Caridade e da Esperança e juntamente com estas poderemos contribuir para um mundo mais Justo e Perfeito, para isto vamos seguir as palavras do Cantor e Compositor Gonzaguinha na musica Nunca pare de Sonhar.

Ontem um menino que brincava me falou
Hoje é semente do amanhã
Para não ter medo que este tempo vai passar
Não se desespere e nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será “
 
Assim Seja

REFERENCIAS:

Fe – Wikipédia, a enciclopédia livre

Fé raciocinada

FÉ RACIOCINADA
               José Passini
               Juiz de Fora MG

               O CONCEITO DE FÉ NA TEOLOGIA FUNDAMENTAL CRISTÃ
Felipe Barrozo Arboith1

A Fé Religiosa – Condição da Fé Inabalável

               EXPERIÊNCIA RELIGIOSA DA FÉ E DESENVOLVIMENTO HUMANO
               Daniela Martins Pereira

               Estudo diz que fé religiosa diminui ansiedade e erros em teste cognitivo.

O Espiritismo - A Fé Raciocinada - José Reis Chaves

Vivos! - A Fé Cristã

Dogma Wikipédia

               Dicionario Informal
               http://www.dicionarioinformal.com.br/dogma/


               Gonzaguinha - Nunca Pare de Sonhar
               http://www.vagalume.com.br/gonzaguinha/

sexta-feira, 10 de maio de 2013


  O SAGRADO FEMININO

Por : Fernando Moura Gonçalves




EVIDÊNCIAS HISTÓRICAS

A Humanidade pré histórica possuía uma relação religiosa pura e imediata com o meio em que vivia, como esta era em sua maioria coletora, a Fêmea era vista como fonte de fecundidade, entendia-se que a origem da vida advinha da mulher, que concebia e amamentava a nova vida, desconhecendo-se o papel masculino na cadeia da vida, atribuindo a tudo que era vida ao aspecto feminino inclusive a própria Terra.
Nos sítios arqueológicos as figuras mais numerosas foram as femininas, sem dúvida devido à sua clara relação com o culto à fecundidade. Todos os objetos encontrados, a maior parte pertencente ao período paleolítico (25000 a.C. - 8000 a.C.), mostra uma desproporção deliberada entre os genitais e as demais partes do corpo, o que reforça a teoria de mulher-mãe-natureza. Essas estatuetas são conhecidas entre os especialistas como Vênus Esteatopígicas. Entre elas, as mais famosas são a Vênus de Lespugne, na França, e a Vênus de Willendorf, na Áustria.
As primeiras esculturas descobertas na Mesopotâmia datam de 5000 a.C. e são em sua maioria figuras que lembram muito as Vênus pré-históricas encontradas no restante da Europa. 

                                  Vênus de Willendorf                   Vênus de Lespugne


A RELIGIÃO PRIMITIVA

O mito da criação, surgiu de um único ancestral e toda a humanidade e o mundo da Grande Mãe Cósmica.
A religião primitiva considerava a mulher envolta em uma aura mística, porque sangrava todo mês e não morria, ao passo que para qualquer dos homens sangrar significava morte. Portanto, a mulher detinha poder, alem de poder conceber, é fácil entender porque a mulher era identificada com a Deusa, ou, melhor dizendo, porque a primeira divindade conhecida tinha que ter caracteres femininos, inda mais quando as pessoas descobriram que a gravidez durava 10 lunações, a colheita e o suceder das estações seguia um ciclo de 13 meses lunares.
Por sua conexão com a Lua e a mulher, a Deusa era cultuada em três aspectos: a Donzela, que corresponde à Lua Crescente, a Mãe representada na Lua Cheia e a Anciã, simbolizada na Lua Decrescente, ou seja, Minguante e Nova.

A TRANSIÇÃO MATRIARCAL/PATRIARCAL

A medida que a sociedade mudava de Coletora para Caçador-Coletora tendo o homem consciência de seu papel em prover alimento, proteção e de sua participação reprodutiva, este começou a reivindicar espaço no culto religioso a ponto dele o Deus Masculino se destacar perante o Deus Feminino.
O ponto de transição situa-se provavelmente na Mesopotâmia há 6.000 anos, onde esta mudança cultural dramática parece ter surgido:
Segundo a Lenda, o Deus Marduk vem para matar Tiamat (uma serpente gigantesca ...) tomando o poder e se firmando como divindade.
Estudos apontam que a ascensão do patriarcado, iniciada com os hebreus, na religião, fez com que a tradição de adoração à deusa se tornasse ameaçadora à consolidação do poder pelos homens, a feminilidade e as mulheres foram associadas a obras do diabo.
Lilith, primeira esposa de Adão e reminiscência da deusa-mãe, foi associada com o aspecto negativo da cobra.
O mito de criação comum a judeus e cristãos nos conta que Jeová-Deus criou o primeiro homem, Adão, e de uma costela sua moldou a primeira mulher a quem chamou de Eva. O relato que coloca Eva posterior a Adão também leva a crer na submissão da mulher, pois se não fosse a costela masculina, não existiria a mulher. Pelo pecado original, o de ter comido do fruto da Árvore do Conhecimento, Eva e todas as mulheres posteriores a ela deveriam pagar por sua insubordinação.
Hoje já se sabe que esse mito é posterior, pois em Gêneses 1:27 temos a intrigante passagem: “E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”. Por essa frase temos o registro, mesmo que posteriormente sendo ocultada do mito da criação, da presença de Lilith, essa sim a primeira mulher criada por Jeová-Deus, não de uma costela, mas sim do mesmo barro que Adão.
Segundo a tradição, Lilith não se submeteu à dominação masculina, rejeitada por Adão, expulsa do Paraíso, o Senhor proíbe Lilith a permanecer no mundo celestial sendo relegada para as profundezas do submundo, onde ela será a companheira de Lúcifer ou Samael.
Esse mito, combinado com a "culpa" de Eva, vai ajudar a desvalorizar a feminilidade, tirando toda a santidade, justificando assim o controle do Patriarcado e a dominação dos homens sobre as mulheres.
Lilith e Eva, nos tempos bíblicos, representam a era Matriarcal, a
Feminilidade livre e dominante, muito perigosa para o poder masculino.


                                                                             Lilith
  
Na cultura egípcia, a reverência ao Sagrado Feminino remonta à era neolítica. Inúmeras estatuetas de argila comprovam que a antiguidade dos cultos de diversas deusas remonta a uma época entre 5500 e 3300 anos a.C. Essas deusas eram cultuadas em seus templos, nos quais as funções sacerdotais eram desempenhadas por mulheres. As rainhas eram o elo entre uma dinastia e outra, e a herança real seguia pela linhagem feminina. Somente muito tempo depois que o culto das deusas foi substituído pelo dos deuses, passando então o faraó a ser considerado a manifestação do próprio Deus, mesmo assim, Ísis continuou a ser cultuada até a conquista do Egito pelos Romanos.
No oriente a mitologia Greco/Romana também seguiu a tendência Patriarcal, a cultura grega, a princípio primitivamente era Matriarcal, com ênfase na Grande Mãe, gradativamente com o desenvolvimento da mitologia, Zeus, filho de Saturno e neto de Urano, o Pai do Céu, assume o comando do Olimpo e divindades femininas originárias das qualidades da Grande Mãe surgiram, assumindo posições "subordinadas" ao Pai Zeus, contudo a mulher não só exercia o papel no sacerdócio como Divindade.
Na Mitologia o Sagrado Feminino foi dividido em seis Divindades:
ATENA Simboliza a tecnologia, a ciência e todos os ofícios práticos, as artes literárias, a educação e a vida intelectual em todas as suas formas.
ÁRTEMIS Simboliza a natureza em sua forma virgem ou indomada. Ártemis está particularmente próxima dos animais, da caça e daqueles ciclos da natureza que regem igualmente o mundo animal e o humano; ela também é a deusa da parturição. Sendo uma deusa lunar simboliza toda a vida dos instintos.
HERA Simboliza o poder e a governança Feminina. Como esposa do deus Zeus, ela rege o casamento, o companheirismo e todas as funções públicas em que uma mulher exerce o poder, responsabilidade ou liderança. Extremamente preocupada com a moralidade social e com a preservação da integridade da família.
PERSÉFONE é a rainha dos mortos e simboliza todos os aspectos do contato com o mundo avernal, o mundo ESPIRITUAL ou domínio dos mortos. Consciente ou inconscientemente, ela está em contato com os poderes transpessoais superiores da psique, denominados espíritos e que Jung chamou de arquétipos.
DEMÉTER é a descendente mais direta da Mãe-Terra; simboliza a maternidade e de tudo o que se refere às funções reprodutoras. Por reger a semente e o fruto é, às vezes, chamada Senhora das Plantas, simbolizando sua profunda ligação com todos os aspectos da alimentação, do crescimento, dos ciclos das safras, e da colheita e preservação dos alimentos.
AFRODITE Simboliza o AMOR e a eroticidade, ou seja, todos os aspectos da sexualidade, da vida íntima e das relações pessoais. Afrodite é a deusa da beleza e, portanto, das artes visuais - pintura, escultura, arquitetura - e também da poesia e da música. Ela simboliza a inspiração artística e todo contato criativo entre os sexos.
Nas religiões Afro-Brasileiras temos as analogias das divindades Mitológicas, são elas:
1. Yemanjá: personifica a mãe.

 2. Nanã Buruque: a anciã.

3. Oxum : a sensualidade da fecundidade.

4. Yansã: a força através do Amor.

5. Obá: o passional feminino.

6. Ewá:  A Virgindade a Pureza.

 7. Pomba-gira: a sexualidade feminina.
  



  
O ADVENTO DO CRISTIANISMO

O Cristo como um revolucionário religioso para a época traz em seus ensinamentos muito dos aspectos do Feminino Sagrado, como a postura em amar os seus inimigos, não fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem conosco, atitudes como docilidade, mansidão, resignação, paciência, atributos essencialmente femininos, o seu próprio nascimento reforçou o aspecto maternal da divindade e o tratamento igual que ele dava a todos os seus discípulos tanto homens quanto mulheres, transmitia direitos e deveres espirituais iguais, de acordo com o Evangelho de Tomé, Jesus diz que o reino de Deus pode ser aberto para aqueles que se uniram no masculino e feminino.
A doutrina de Jesus, trouxe a mensagem do amor de Deus através do amor da humanidade pela a união desta, união significava a igualdade de condições, direitos e responsabilidades. O Cristianismo primitivo seguia este preceito dando a mulher os mesmos direitos, deveres e responsabilidades na religião como as seitas pagãs que existiam. O aspecto feminino religioso se fazia através de um equilíbrio entre os ícones de Maria Madalena e Maria de Nazaré.
Maria Madalena aparece pela primeira vez na Bíblia por volta do ano 25, situada em um povoado de pescadores, em Cafarnaum, na Galiléia, onde Jesus adquiriu rapidamente uma reputação de curandeiro.
Podemos dizer que devido ao seu papel essencial na ressurreição, chamaram-na de Apostolo dos Apóstolos (Apostola Apostolorum). O fato de ter sido a primeira testemunha da ressurreição lhe outorga uma grande autoridade.
Segundo os Evangelhos Apócrifos ou Gnósticos Maria Madalena teve um papel rigoroso de apostolado e de evangelização. Ela converteu o sul da Gália ao cristianismo. Existem monumentos, conventos, igrejas, capelas que são dedicadas a ela em Provençe (França) e Nápoles (Itália), entre outros. Sua fama perdurou durante todo o período medieval, mas finalmente foi ví­tima das reformas empreendidas pelo Concílio de Trento, reunido no século XVI, cujo objetivo era o de contestar os protestantes, pois estes zombavam do culto aos Santos.
Maria Madalena não é um sí­mbolo de arrependimento e de morte psicológica. Ela representa a feminilidade, o amor, a humildade, a fidelidade, a coragem, a visionária, a missionária, transbordante de fé ao pé da cruz, a mensageira da ressurreição, uma das discí­pulas fundadora do cristianismo. Ela ungiu o Cristo antes da ressurreição. Sem ela, o cristianismo se transformou ao longo do tempo em algo completamente diferente, bem longe da Gnose. Se Maria Madalena fosse considerada sagrada, a mulher seria sagrada e, portanto, a sexualidade também.

A ASCENÇÂO DO PAPEL DE MARIA DE NAZARE.

Este culto é uma das ocorrências mais surpreendentes na história primitiva da Igreja Cristã. Não houve nenhuma justificação para este fato nos Evangelhos. A veneração da Mãe de Deus recebeu um forte impulso quando a partir de 312 a. C.(ato de tolerância por parte de Constantino) a Igreja Cristã se converteu, pouco a pouco, em Igreja Imperial, com a consequente conversão das massas pagãs do Império. Esta gente acostumada a milênios de culto à Grande Mãe, a Deusa, a Virgem Divina, etc. não podia aceitar sem mais o patriarcalismo Judaico integrista adotado pelo Cristianismo. Não é surpreendente que foi no Egito onde se originou a adoração de Maria sob o título de Teotokos (prenhe de Deus). Mais tarde, no concílio de Éfeso (431 A.D.) esta designação egípcia foi convertida em dogma da Igreja. Como vemos foi no Egito, onde até a era Cristã, Ísis (com o filho Horus nos braços) fora adorada, onde se cristalizou o culto à Virgem Maria (com o menino Jesus nos braços). Ou melhor dito, onde a Deusa Ísis se converteu na Virgem Maria.
Parece então, que o destino de Ísis foi converter o Cristianismo, descendente direto do Judaísmo monoteísta patriarcal, numa religião sincrética, Junta-se a isto o domínio da nova religião pelo Império Romano associado aos que se intitulavam “lideres” desta, que não permitiram a mulher tomar qualquer posição ativa dentro do cristianismo, subjugando a face independente da mulher representada por Maria Madalena, incentivando e posteriormente exaltando a face maternal e submissa da mulher através do sincretismo entre a figura pagã e Maria de Nazaré. 
Até ao século XI a posição da mulher cristã melhorou muito em relação ao que tinha sido nas sociedades puramente patriarcais anteriores. A mulher tinha direito à propriedade, a explorar um comércio e, por tanto, tinha certa
independência. Esta atitude tão liberal da Igreja foi, como se demonstrou depois, puramente estratégica. Durante estes séculos a Igreja estava em plena expansão, convertendo, uma depois da outra, as tribos e povos pagãos. Como esta conversão sempre começou com as mulheres, era muito conveniente que estas se dessem conta de que a posição da mulher na sociedade Cristã era muito superior ao que estavam habituadas. Não somente isto, mas até ofereceram à mulher a oportunidade de libertar-se de matrimônios inconvenientes já que a nova religião somente consideravam válidos os matrimônios cristãos. Em finais do século XI quando todas as tribos pagãs Européias tinham sido convertidas à fé, a posição da mulher mudou drasticamente. Esta não recuperou a sua semi-liberdade de séculos anteriores até o século XX. A exterminação de qualquer suposta heresia, a Inquisição, a caça às bruxas (e até o mesmo conceito de bruxaria) foram instrumentos para eliminar qualquer vestígio "matriarcal" da face da terra Cristã. Não puderam eliminar a veneração à Virgem, mas a converteram num símbolo eficaz de consolação para que as mulheres submissamente aceitassem o seu papel na Religião Católica.
Na teologia Católica Romana, é como a “mãe de Deus” que Maria assume a função de mediadora, não para tomar o lugar de Cristo como o único mediador entre Deus e os seres humanos (1Tm 2:5), mas para intermediar entre Cristo e a humanidade, embora o Concílio Vaticano II tenha se posicionado com muita cautela em relação ao culto à “virgem de Nazaré”, na tentativa de motivar e apressar o diálogo para a unidade dos cristãos, a figura de Maria assumiu o papel de ícone da Igreja sob o Papado de João Paulo II. A mais recente edição do catecismo romano expressa essa posição.
Em sua luta para dirigir-se ao mundo contemporâneo, marcado pelo individualismo e pluralismo, João Paulo II fez de cada viagem, encontro e discurso um esforço para restaurar o culto da Virgem. Como exemplo motivador do mundo católico, o falecido pontífice visitou os grandes centros de adoração a Maria, tais como Guadalupe no México, Fátima, Aparecida, entre outros.A estratégia seria fortalecer a família, a Castidade, fortalecendo o patriarcado, garantido a dominância masculina na Igreja.

O RESGATE DO SAGRADO FEMININO
A descoberta da Terra como valor mais alto a preservar, sob pena de não mais haver espécie humana fez decolar a consciência ecológica e o renascimento dos valores ligados à Deusa: a paz, a convivência na diversidade, a cultura, as artes, o respeito a outras formas de vida no planeta. Os últimos anos têm assistido o fenômeno chamado "Renascer da Deusa", ou seja, o ressurgimento do arquétipo do divino feminino na cultura, nas artes, na ciência e no psiquismo das pessoas. O respeito à Mãe Terra, o reconhecimento dos seres humanos como irmãos dos demais seres, a ênfase na conciliação dos sexos e das pessoas, ao invés da competição, a paz ao invés dos conflitos, as terapias naturais respeitando o corpo e a Terra.
Existem ciclos lunares, ciclos solares e os ciclos que levam milhares de anos. Nós temos nossos próprios ciclos de desenvolvimento pessoal e também estamos sempre envolvidos com o ciclo coletivo. Na cultura ocidental moderna estamos em um estágio do ciclo atual, onde estamos mais uma vez retornando ao Sagrado Feminino.
A representante contemporânea do culto a Deusa é a religião WICCA, Wicca é uma religião pagã, no sentido de "não cristã", como no sentido etimológico de "oriunda do campo", é uma religião de origem rural que cultua a Deusa e seu consoante o Deus. Ambos são expressões em polaridades do Ser Supremo, a Divindade.
A Wicca define o Deus como a união dos dois gêneros, contudo os gêneros são criações de Deus, não podendo ser definido por estes, seria o mesmo que definir o Sol pela luz que ele emite. 

CARACTERISTICAS DO SAGRADO FEMININO

Podemos definir o Sagrado Feminino nos
seguintes aspectos:
1. A vida vem da Fonte Sagrada; a mulher está mais próxima
desta Fonte da Vida.
2. A mulher tem um instintivo sentimento de humanidade
plena que flui de sua íntima comunhão com a Vida.
3. A mulher não se limita a assistir a vida, mas está em plena
vida.
4. No amor tende mais para o que é espiritual.
5. O que emoldura as coisas, o circundante, tem para a
mulher uma grande importância e uma profunda influência
sobre o seu estado de alma.
6. É a cristalização das virtudes.
7. Nos relatos da Criação, ao formar o Paraíso Terrestre,
Homem e Mulher são matrizes do modo de ser humano.
8. É a figura da Sabedoria Divina: “O Senhor criou-me como
primícia de sua ação...” (cfr. Provérbios 8, 22-31) 


CONCLUSÃO

Estamos vivenciando o inicio do ciclo feminino, o despertar do feminino sagrado é reverenciar a face feminina de Deus. È encarnar em si as próprias qualidades divinas do amor, da devoção, do cuidado, da pureza e da beleza. Assim servimos à Deusa e nos tornamos unos com Ela.

Aproveitemos a ascensão da Mãe e unamos com a Amante, o profano e o divino, o carnal e o espiritual, Madalena e a Virgem Maria, em um único símbolo de amor, devoção e respeito à manifestação da natureza e da vida. Deste modo estaremos mais perto da divindade e preparados para uma nova consciência. 





A:.G:.G:.A:.D:.U:.
  
REFERENCIAS:

A Adoração à Virgem Maria e às Deusas Pagãs


PROTESTANTISMO

Protestantismo

O Culto da Virgem Maria na Idade Média | Ensaio Temático | Heilbrunn C... http://www.metmuseum.org/toah/hd/virg/hd_virg.htm

Sagrado Feminino: O MUndo das Deusas

O Culto da Virgem Maria durante o século 12 - Vozes do Yahoo! - voices... http://translate.googleusercontent.com/translate_c?hl=pt-BR&langpair=e...

Resumo de O Culto à Virgem Maria E A Cultura De Submissão Da Mulher http://www.cienciashumanas.com.br/resumo_artigo_2265/artigo_sobre_o...

ARTIGO
A consciência do Sagrado Feminino
Resgatando o passado, construindo o futuro
Mirella Faur

O SAGRADO FEMININO - A DEUSA
Autor da Casa do Bruxo

SAGRADO E SUBJUGAÇÃO DO UNIVERSO FEMININO
ECCO, Clóvis
(Doutorando em Ciênicas da Relgião, PUC-GO)
clovisecco@uol.com.br

Deusa mãe
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O Resgate do Sagrado Feminino
Joviana Lopes

O sagrado feminino
E EM BUSCA DA UNIDADE PERDIDA
Por Jean Bernard Cabanes

O culto a Maria: uma criação do papado
José Miranda Rocha, D.Min.
Professor de Teologia Pastoral no SALT, Unasp, Campus Engenheiro Coelho, São Paulo

Daniela Ventura  

Reflexões em torno do Sagrado Feminino
Vitório Mazzuco