sexta-feira, 14 de junho de 2013



 FÉ

 
Por: Fernando Moura Gonçalves





DEFINIÇÃO

(do Latim fides, fidelidade e do Grego pistia ) é a firme opinião
de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta idéia ou fonte de transmissão.
A acompanha absoluta abstinência a duvida pelo antagonismo inerente a natureza destes fenômenos psicológicos e lógica conceitual. Ou seja, é impossível duvidar e ter Fé ao mesmo tempo. A expressão se relaciona semanticamente com os verbos crer, acreditar e confiar.
E possível nutrir um sentimento de Fé em relação a uma pessoa, um objeto inanimado, uma ideologia, um pensamento filosófico, um sistema qualquer, um conjunto de regras, um paradigma popular social e historicamente instituído, uma base de propostas ou dogmas de uma determinada religião. Tal sentimento não se sustenta em evidencias, provas ou entendimento racional (ainda que este ultimo critério seja amplamente discutido dentro da epistemologia) e, portanto, alegações baseadas em Fé não são reconhecidas pela comunidade cientifica como parâmetro legitimo de reconhecimento ou avaliação da verdade de um postulado.


A FÉ RELIGIOSA

Para entendermos a fé religiosa devemos entender o conceito de Dogma.

              DOGMA
O termo DOGMA está ligado à ideologia, ou conjunto de princípios que servem de base à um sistema religioso, político, filosófico, científico, entre outros.
São verdades absolutas que não permitem a discussão. São um conjunto lógico, sistemático de representações (idéias, valores) e de normas ou regras (de conduta) Indicam ou prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem pensar, o que devem valorizar e como devem valorizar, o que devem sentir, fazer e como. Possui caráter prescritivo, normativo, regulador, cuja função é dar aos membros de uma sociedade dividida em classes uma explicação racional para as diferenças sociais, políticas e culturais.
No campo religioso dogma é uma verdade divina, revelada e acatada pelos fiéis. Dogmas são encontrados em muitas religiões como o cristianismo, islamismo e o judaísmo, onde são considerados princípios fundamentais que devem ser respeitados por todos os seguidores dessa religião. No catolicismo os dogmas surgem das Escrituras e da autoridade da Igreja Católica. No Catolicismo, o dogma é uma verdade revelada por Deus. Com isto o Dogma é imutável e definitivo (não pode ser revogado).
A rejeição do dogma é considerado heresia ou blasfêmia em determinadas religiões, e pode levar à expulsão do grupo religioso.


FÉ E RELIGIÃO

A FÉ SEGUNDO A SAGRADA ESCRITURA

Antigo Testamento
No Antigo Testamento, o termo “fé” é utilizado basicamente para expressar um relacionamento interpessoal com Deus. “Crer, de fato, significa, no AT, entregar-se a Deus (Gn 15,6; Ex 14,31; Nm 14,11), entregar-se à palavra salvífica de um Deus que
conduz a história e que fez aliança primeiro com os pais e depois com ‘seu povo’, Israel” (Latourelle, 1994, p. 319). Desde Abraão, a palavra de Deus já trata de crença e de fé.
Em Gn 22,1 a fé de Abraão é testada e esse, além de mostrar uma obediência fiel à voz
de Javé, expressa também uma confiança firme em Deus (Gn 22,8-14). Aqui fé,
obediência e confiança caminham juntas. O termo “fé” é utilizado para designar o ato de
ser firme e fiel a algo. Trata-se ainda do ato de aceitar algo como firme ou verdadeiro.
Na Antiga Aliança, Deus se revela ao povo escolhido. Por amor, Javé revela-se a seu povo, esse do qual o próprio Senhor espera uma resposta pessoal, que se manifesta
na adesão de Sua palavra e vontade, ou seja, na fé. A partir da revelação de Deus é que
se torna possível ter fé.
A libertação da escravidão e a conquista da terra prometida tornar-se-ão o ponto central da fé do povo judeu. “O reconhecimento de tais benefícios para Israel e para todos os homens permanecerá sempre a essencial ‘confissão de fé’ do AT” (Lacoste, 2004, p. 719).

 Novo Testamento
Para Latourelle, o Novo Testamento devido a seu caráter interpessoal, esta fé é naturalmente semelhante à do AT. É respectivamente confiança e entrega a Deus, presente na palavra e na ação de Jesus (sinóticos);
No Novo Testamento a fé é tratada de várias maneiras. Nos evangelhos sinóticos
encontramos como tema central a pessoa histórica de Jesus. Aqui o Senhor anuncia a
chegada do Reino de Deus, e pede, em resposta, a fé daqueles que o ouvem (cf. Mc
1,15), aceitando, assim, o plano de Deus.
Essa fé que Jesus pede a seus seguidores é algo radical e libertador, capaz de
curar o coração, o corpo e a alma dos fiéis.

A fé é algo universal, independente da crença e da cultura, o homem busca respostas em algo que está além da sociedade, além das regras impostas pelo cotidiano e muitas vezes, além da medicina e da ciência.
De acordo com a Bíblia Sagrada Cristã, (1997) no livro do novo testamento carta
aos Hebreus capítulo11 e versículo 1º, o autor aborda a fé da seguinte maneira: .Ora, a fé é firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.
Neste contexto vemos a fé como o agir sobrenatural, isto é, a crença em algo que
não existe leva o homem a conquistar seu objetivo através da fé.
De acordo com Fabry (1984), em “A Busca do Significado”, o homem tem fé na
existência de uma dimensão divina, mas, ainda que seja incapaz de concebê-la, sente a necessidade de estabelecer uma relação com este mistério. A base da religião seja qual for o nome que chamemos, não pode desintegrar-se, diminuir ou desaparecer, porque é eterna e infinita.

A FÉ E A GNOSE

Segundo os antigos teólogos da escola de Alexandria.
Ao atingir a “gnose”, o homem recebe a possibilidade de saber qual o sentido
verdadeiro do ato de crer. Isso só é completo quando o sujeito atinge a perfeição ao
cumprir fielmente o plano e os mandamentos de Deus.
Clemente de Alexandria, e outros cristãos, propagavam que a fé é a “gnose”
verdadeira, ou a certeza da verdade de fé que se converte em amor e cumprimento dos
mandamentos de Deus. Para eles existe uma dupla conversão no homem. Primeiramente
ele se converte aos paradigmas da fé, ou seja, aceita o que ela afirma como verdade. Em
um segundo momento converte-se da fé para a “gnose”, a qual se converte, por sua vez,
em amor e estabelece uma relação entre conhecer e o conhecido que é Deus, o revelado.
Nesse sentido, escreve Urbina:
Como resultado da controvérsia gnóstica, tornou-se claro que a fé é resposta do homem a Deus que garante a certeza e segurança da fé. Ao mesmo tempo, o início da fé se mostra como resultado de uma ação moral. Uma vez que o homem crê, a fé  afeta o conjunto de sua ação moral (Urbina, 1998, p. 238).

FÉ, RAZÂO E RACIOCÍNIO

No seu aspecto religioso, a fé é a crença nos dogmas particulares que constituem as diferentes religiões, e todas elas têm os seus artigos de fé. Nesse sentido, a fé pode ser raciocinada ou cega. A fé cega nada examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro, e a cada passo se choca com a evidência da razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Quando a fé se firma no erro, cedo ou tarde desmorona. Aquela que tem a verdade por base é a única que tem o futuro assegurado, porque nada deve temer do progresso do conhecimento, já que o verdadeiro na obscuridade também o é a plena luz. Cada religião pretende estar na posse exclusiva da verdade, mas preconizar a fé cega sobre uma questão de crença é confessar a impotência para demonstrar que se está com a razão.
Os conceitos modificam-se e evoluem com a evolução da propria humanidade, o conceito de Fé também, já ha alguns séculos algumas correntes religiosas propagam o conceito de Fé Raciocinada, tal apoio vem também do campo filosófico, Kant, em 1792, ao escrever a obra Der Sieg des guten Prinzips über das böse und die Gründung
eines Reichs Gottes auf Erden (A vitória do princípio bom sobre o princípio mau e a constituição de um reino de Deus sobre a terra), afirma ainda cheio de otimismo:
"A passagem gradual da fé eclesiástica ao domínio exclusivo da pura fé religiosa constitui a aproximação do reino de Deus".
Nessa obra, o "reino de Deus" anunciado nos Evangelhos recebia como que uma nova definição e uma nova presença:
A Revolução podia apressar a passagem da fé eclesiástica à fé racional;
onde chegasse a Revolução a "fé eclesiástica" seria superada e substituída pela "fé religiosa", ou seja, pela "fé racional."
Na evolução para a Fé raciocinada, a fé necessita de uma base, e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não basta ver, é necessário
sobretudo compreender. A fé cega não é mais deste século. É precisamente o dogma da fé cega que hoje em dia produz o maior número de incrédulos. Porque ela quer impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: a que se
constitui do raciocínio e do livre-arbítrio. É contra essa fé, sobretudo, que se levanta o incrédulo, o que mostra a verdade de que a fé não se impõe. Não admitindo provas, ela deixa no espírito um vazio, de que nasce a dúvida. A fé raciocinada, que se apóia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade: crê-se, porque se tem à certeza, e só se está certo quando se compreendeu. Eis porque ela não se dobra: porque só é inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade.


FÉ E A SAUDE

A crença religiosa parece reduzir a ansiedade e stress, segundo estudo da Universidade de Toronto, no Canadá, que encontrou diferenças no funcionamento do cérebro de crentes e não-crentes durante uma tarefa cognitiva complexa.
Os pesquisadores aplicam o teste de Stroop em que os voluntários vêem nomes de cores (ex.azul, verde, amarelo) e tem de responder em que cor estas palavras estão escritas (porque o azul está grafado em verde, o verde em amarelo, por exemplo). O que se mede é o tempo de reação entre a apresentação do estímulo e a resposta correta. Enquanto eram submetidos ao teste, os participantes tiveram seu cérebro escaneado por ressonância magnética funcional.
Comparado aos não-crentes, os que haviam declarado sua fé tiveram menor
ativação do córtex cingulado anterior, uma região do cérebro associada à atenção, principalmente em resposta a eventos geradores de ansiedade, como os que podem resultar em erros. Quanto mais intensa a fé religiosa do indivíduo – foi avaliada por escala subjetiva – menor a atividade dessa área cerebral e menor a quantidade de erros cometidos no teste de Stroop. Segundo os autores, os resultados indicam que os crentes ficam menos ansiosos e estressados diante de possibilidade de cometer erros e, como
conseqüência, erram menos. No entanto, os autores lembram que a ansiedade é uma “faca de dois gumes”. “Obviamente ela pode ser negativa se estiver muito alta, porque paralisa a pessoa”, diz Michael Inzlicht, que assina o artigo publicado na revista Psychological Science. “Mas algum grau de ansiedade é importante para nos alertar sobre nossos próprios erros. Do contrário, como poderíamos mudar e melhorar nosso
desempenho?”, questiona o psicólogo canadense, sugerindo que mais estudos são necessários para se compreender a relação entre ansiedade e crença religiosa no cérebro humano.


 
CONCLUSÃO
O ato de crer em alguma coisa demanda a necessidade do sentimento e do raciocínio, para que a alma edifique a em si mesma.
Admitir as afirmativas mais estranhas, sem um exame minucioso,é caminhar para o desfiladeiro do absurdo, onde os fantasmas dogmáticos conduzem as criaturas a todos os despautérios.
Mas também interferir nos problemas essenciais da vida, sem que a razão esteja iluminada pelo sentimento, é buscar o mesmo declive onde os fantasmas impiedosos da negação conduzem as almas a muitos crimes.
Toda dúvida que se manifesta na alma cheia de boa-vontade, que não se precipita em definições apriorísticas dentro de sua sinceridade, ou que não busca a malícia para contribuir em suas cogitações, é um elemento benéfico para a alma, na marcha da inteligência e do coração rumo à luz sublimada da .
Adquiramos nossos valores em matéria de , na seqüência das lutas, esforços e sacrifícios. Porém, o tesouro maior da existência terrestre reside na consciência reta e pura, iluminada pela e edificada no cumprimento de todos os deveres mais elevados. Usemos a Fé como agente aglutinador da Caridade e da Esperança e juntamente com estas poderemos contribuir para um mundo mais Justo e Perfeito, para isto vamos seguir as palavras do Cantor e Compositor Gonzaguinha na musica Nunca pare de Sonhar.

Ontem um menino que brincava me falou
Hoje é semente do amanhã
Para não ter medo que este tempo vai passar
Não se desespere e nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será “
 
Assim Seja

REFERENCIAS:

Fe – Wikipédia, a enciclopédia livre

Fé raciocinada

FÉ RACIOCINADA
               José Passini
               Juiz de Fora MG

               O CONCEITO DE FÉ NA TEOLOGIA FUNDAMENTAL CRISTÃ
Felipe Barrozo Arboith1

A Fé Religiosa – Condição da Fé Inabalável

               EXPERIÊNCIA RELIGIOSA DA FÉ E DESENVOLVIMENTO HUMANO
               Daniela Martins Pereira

               Estudo diz que fé religiosa diminui ansiedade e erros em teste cognitivo.

O Espiritismo - A Fé Raciocinada - José Reis Chaves

Vivos! - A Fé Cristã

Dogma Wikipédia

               Dicionario Informal
               http://www.dicionarioinformal.com.br/dogma/


               Gonzaguinha - Nunca Pare de Sonhar
               http://www.vagalume.com.br/gonzaguinha/