FÉ
Por: Fernando Moura
Gonçalves
DEFINIÇÃO
Fé (do Latim fides, fidelidade e do Grego pistia
) é a firme opinião
de que algo é verdade, sem
qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança
que depositamos nesta idéia ou fonte de transmissão.
A fé acompanha
absoluta abstinência a duvida pelo antagonismo inerente a natureza destes fenômenos
psicológicos e lógica conceitual. Ou seja, é impossível duvidar e ter Fé ao
mesmo tempo. A expressão se relaciona semanticamente com os verbos crer, acreditar e confiar.
E possível nutrir um sentimento
de Fé em relação a uma pessoa, um objeto inanimado, uma ideologia, um
pensamento filosófico, um sistema qualquer, um conjunto de regras, um paradigma
popular social e historicamente instituído, uma base de propostas ou dogmas de
uma determinada religião. Tal sentimento não se sustenta em evidencias, provas
ou entendimento racional (ainda que este ultimo critério seja amplamente
discutido dentro da epistemologia) e, portanto, alegações baseadas em Fé não são
reconhecidas pela comunidade cientifica como parâmetro legitimo de
reconhecimento ou avaliação da verdade de um postulado.
A FÉ RELIGIOSA
Para entendermos a
fé religiosa devemos entender o conceito de Dogma.
DOGMA
DOGMA
O termo DOGMA está ligado à ideologia, ou conjunto de princípios que
servem de base à um sistema religioso, político, filosófico, científico, entre
outros.
São verdades absolutas que não permitem a discussão. São um conjunto lógico, sistemático de representações (idéias, valores) e de normas ou regras (de conduta) Indicam ou prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem pensar, o que devem valorizar e como devem valorizar, o que devem sentir, fazer e como. Possui caráter prescritivo, normativo, regulador, cuja função é dar aos membros de uma sociedade dividida em classes uma explicação racional para as diferenças sociais, políticas e culturais.
São verdades absolutas que não permitem a discussão. São um conjunto lógico, sistemático de representações (idéias, valores) e de normas ou regras (de conduta) Indicam ou prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem pensar, o que devem valorizar e como devem valorizar, o que devem sentir, fazer e como. Possui caráter prescritivo, normativo, regulador, cuja função é dar aos membros de uma sociedade dividida em classes uma explicação racional para as diferenças sociais, políticas e culturais.
No campo religioso dogma é uma verdade divina, revelada e acatada pelos
fiéis. Dogmas são encontrados em
muitas religiões como o cristianismo, islamismo
e o judaísmo,
onde são considerados princípios fundamentais que devem ser respeitados por
todos os seguidores dessa religião. No catolicismo os dogmas surgem das
Escrituras e da autoridade da Igreja Católica. No Catolicismo, o dogma é uma
verdade revelada por Deus. Com isto o Dogma é imutável e definitivo (não pode
ser revogado).
A rejeição do dogma é
considerado heresia
ou blasfêmia
em determinadas religiões, e pode levar à expulsão do grupo religioso.
FÉ E RELIGIÃO
A FÉ SEGUNDO A SAGRADA ESCRITURA
Antigo Testamento
No Antigo Testamento, o termo “fé” é utilizado basicamente
para expressar um relacionamento interpessoal com Deus. “Crer, de fato,
significa, no AT, entregar-se a Deus (Gn 15,6; Ex 14,31; Nm 14,11), entregar-se
à palavra salvífica de um Deus que
conduz
a história e que fez aliança primeiro com os pais e depois com ‘seu povo’,
Israel” (Latourelle, 1994, p. 319). Desde Abraão, a palavra de Deus já trata de
crença e de fé.
Em Gn
22,1 a
fé de Abraão é testada e esse, além de mostrar uma obediência fiel à voz
de
Javé, expressa também uma confiança firme em Deus (Gn 22,8-14). Aqui fé,
obediência
e confiança caminham juntas. O termo “fé” é utilizado para designar o ato de
ser
firme e fiel a algo. Trata-se ainda do ato de aceitar algo como firme ou
verdadeiro.
Na
Antiga Aliança, Deus se revela ao povo escolhido. Por amor, Javé revela-se a seu
povo, esse do qual o próprio Senhor espera uma resposta pessoal, que se
manifesta
na
adesão de Sua palavra e vontade, ou seja, na fé. A partir da revelação de Deus
é que
se
torna possível ter fé.
A
libertação da escravidão e a conquista da terra prometida tornar-se-ão o ponto
central da fé do povo judeu. “O reconhecimento de tais benefícios para Israel e
para todos os homens permanecerá sempre a essencial ‘confissão de fé’ do AT”
(Lacoste, 2004, p. 719).
Novo Testamento
Para Latourelle, o Novo Testamento devido a seu caráter
interpessoal, esta fé é naturalmente semelhante à do AT. É respectivamente
confiança e entrega a Deus, presente na palavra e na ação de Jesus (sinóticos);
No
Novo Testamento a fé é tratada de várias maneiras. Nos evangelhos sinóticos
encontramos
como tema central a pessoa histórica de Jesus. Aqui o Senhor anuncia a
chegada
do Reino de Deus, e pede, em resposta, a fé daqueles que o ouvem (cf. Mc
1,15),
aceitando, assim, o plano de Deus.
Essa
fé que Jesus pede a seus seguidores é algo radical e libertador, capaz de
curar
o coração, o corpo e a alma dos fiéis.
A fé é
algo universal, independente da crença e da cultura, o homem busca respostas
em algo que está além da sociedade,
além das regras impostas pelo cotidiano e muitas vezes, além da medicina e da ciência.
De
acordo com a Bíblia Sagrada
Cristã, (1997) no livro do novo testamento carta
aos
Hebreus capítulo11 e
versículo 1º, o autor aborda a fé da seguinte maneira: .Ora, a fé é
firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não
vêem.
Neste
contexto vemos a fé como o
agir sobrenatural, isto é,
a crença em algo que
não existe leva o homem a
conquistar seu objetivo através da fé.
De
acordo com Fabry (1984), em “A Busca do Significado”, o homem tem fé na
existência de uma dimensão divina,
mas, ainda que seja incapaz de concebê-la, sente a necessidade de
estabelecer uma relação com
este mistério. A base da religião seja qual for o nome que chamemos, não pode desintegrar-se,
diminuir ou desaparecer, porque é
eterna e infinita.
A FÉ E A GNOSE
Segundo os antigos teólogos da escola de Alexandria.
Ao
atingir a “gnose”, o homem recebe a possibilidade de saber qual o sentido
verdadeiro
do ato de crer. Isso só é completo quando o sujeito atinge a perfeição ao
cumprir
fielmente o plano e os mandamentos de Deus.
Clemente
de Alexandria, e outros cristãos, propagavam que a fé é a “gnose”
verdadeira,
ou a certeza da verdade de fé que se converte em amor e cumprimento dos
mandamentos
de Deus. Para eles existe uma dupla conversão no homem. Primeiramente
ele
se converte aos paradigmas da fé, ou seja, aceita o que ela afirma como
verdade. Em
um
segundo momento converte-se da fé para a “gnose”, a qual se converte, por sua
vez,
em
amor e estabelece uma relação entre conhecer e o conhecido que é Deus, o
revelado.
Nesse
sentido, escreve Urbina:
Como
resultado da controvérsia gnóstica, tornou-se claro que a fé é resposta do
homem a Deus que garante a certeza e segurança da fé. Ao mesmo tempo, o início
da fé se mostra como resultado de uma ação moral. Uma vez que o homem crê, a fé afeta o conjunto de sua ação moral (Urbina,
1998, p. 238).
FÉ, RAZÂO E RACIOCÍNIO
No seu aspecto religioso, a fé é a crença nos dogmas particulares
que constituem as diferentes religiões, e todas elas têm os seus artigos de fé.
Nesse sentido, a fé pode ser raciocinada ou cega. A fé cega nada
examina, aceitando sem controle o falso e o verdadeiro, e a cada passo se choca
com a evidência da razão. Levada ao excesso, produz o fanatismo. Quando a fé se
firma no erro, cedo ou tarde desmorona. Aquela que tem a verdade por base é a
única que tem o futuro assegurado, porque nada deve temer do progresso do
conhecimento, já que o verdadeiro na obscuridade também o é a plena luz. Cada religião
pretende estar na posse exclusiva da verdade, mas preconizar a fé cega sobre uma
questão de crença é confessar a impotência para demonstrar que se está com a
razão.
Os conceitos modificam-se e
evoluem com a evolução da propria humanidade, o conceito de Fé também, já ha
alguns séculos algumas correntes religiosas propagam o conceito de Fé
Raciocinada, tal apoio vem também do campo filosófico, Kant, em 1792, ao escrever a obra Der Sieg des guten Prinzips über das böse und
die Gründung
eines Reichs Gottes auf Erden (A
vitória do princípio bom sobre o princípio mau e a constituição de um reino de Deus sobre a terra), afirma ainda
cheio de otimismo:
"A
passagem gradual da fé eclesiástica ao
domínio exclusivo da pura fé religiosa constitui
a aproximação do reino de Deus".
Nessa
obra, o "reino de Deus"
anunciado nos Evangelhos recebia como que uma nova definição e uma nova
presença:
A Revolução
podia apressar a passagem da fé
eclesiástica à fé racional;
onde
chegasse a Revolução a "fé
eclesiástica" seria superada e substituída pela "fé religiosa", ou seja, pela
"fé racional."
Na evolução para a Fé raciocinada, a fé necessita de uma base, e
essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer. Para crer, não
basta ver, é necessário
sobretudo compreender. A fé cega não é mais deste século. É precisamente
o dogma da fé cega que hoje em dia produz o maior número de incrédulos. Porque
ela quer impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas
do homem: a que se
constitui do
raciocínio e do livre-arbítrio. É contra essa fé, sobretudo, que se levanta o
incrédulo, o que mostra a verdade de que a fé não se impõe. Não admitindo
provas, ela deixa no espírito um vazio, de que nasce a dúvida. A fé
raciocinada, que se apóia nos fatos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade:
crê-se, porque se tem à certeza, e só se está certo quando se compreendeu. Eis
porque ela não se dobra: porque só é
inabalável a fé que pode enfrentar a razão face a face, em todas as épocas da
Humanidade.
FÉ E A SAUDE
A crença religiosa parece reduzir a ansiedade e stress,
segundo estudo da Universidade de Toronto, no Canadá, que encontrou diferenças
no funcionamento do cérebro de crentes e não-crentes durante uma tarefa cognitiva
complexa.
Os
pesquisadores aplicam o teste de Stroop em que os voluntários vêem nomes de
cores (ex.azul, verde, amarelo) e tem de responder em que cor estas palavras estão
escritas (porque o azul está grafado em verde, o verde em amarelo, por exemplo).
O que se mede é o tempo de reação entre a apresentação do estímulo e a resposta
correta. Enquanto eram submetidos ao teste, os participantes tiveram seu
cérebro escaneado por ressonância magnética funcional.
Comparado
aos não-crentes, os que haviam declarado sua fé tiveram menor
ativação
do córtex cingulado anterior, uma região do cérebro associada à atenção,
principalmente em resposta a eventos geradores de ansiedade, como os que podem
resultar em erros.
Quanto mais intensa a fé religiosa do indivíduo – foi avaliada
por escala subjetiva – menor a atividade dessa área cerebral e menor a
quantidade de erros cometidos no teste de Stroop. Segundo os autores, os
resultados indicam que os crentes ficam menos ansiosos e estressados diante de possibilidade
de cometer erros e, como
conseqüência,
erram menos. No entanto, os autores lembram que a ansiedade é uma “faca de dois
gumes”. “Obviamente ela pode ser negativa se estiver muito alta, porque
paralisa a pessoa”, diz Michael Inzlicht, que assina o artigo publicado na
revista Psychological Science. “Mas algum grau de ansiedade é importante
para nos alertar sobre nossos próprios erros. Do contrário, como poderíamos
mudar e melhorar nosso
desempenho?”,
questiona o psicólogo canadense, sugerindo que mais estudos são necessários para
se compreender a relação entre ansiedade e crença religiosa no cérebro humano.
CONCLUSÃO
O ato de crer em alguma coisa demanda a necessidade do
sentimento e do raciocínio, para que a alma edifique a fé em si mesma.
Admitir
as afirmativas mais estranhas, sem um exame minucioso,é caminhar para o
desfiladeiro do absurdo, onde os fantasmas dogmáticos conduzem as criaturas a
todos os despautérios.
Mas
também interferir nos problemas essenciais da vida, sem que a razão esteja
iluminada pelo sentimento, é buscar o mesmo declive onde os fantasmas
impiedosos da negação conduzem as almas a muitos crimes.
Toda
dúvida que se manifesta na alma cheia de boa-vontade, que não se precipita em
definições apriorísticas dentro de sua sinceridade, ou que não busca a malícia
para contribuir em suas cogitações, é um elemento benéfico para a alma, na
marcha da inteligência e do coração rumo à luz sublimada da fé.
Adquiramos
nossos valores em matéria de fé,
na seqüência das lutas, esforços e sacrifícios. Porém, o tesouro maior da
existência terrestre reside na consciência reta e pura, iluminada pela fé e edificada no cumprimento de todos
os deveres mais elevados. Usemos a Fé como agente aglutinador da Caridade e da
Esperança e juntamente com estas poderemos contribuir para um mundo mais Justo
e Perfeito, para isto vamos seguir as palavras do Cantor e Compositor
Gonzaguinha na musica Nunca pare de
Sonhar.
“Ontem um menino que brincava me falou
Hoje é semente do amanhã
Para não ter medo que este tempo vai passar
Não se desespere e nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será “
Hoje é semente do amanhã
Para não ter medo que este tempo vai passar
Não se desespere e nem pare de sonhar
Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será “
Assim Seja
REFERENCIAS:
Fe – Wikipédia,
a enciclopédia livre
Fé
raciocinada
FÉ RACIOCINADA
José Passini
Juiz de Fora MG
O CONCEITO DE FÉ NA TEOLOGIA FUNDAMENTAL CRISTÃ
Felipe Barrozo Arboith1
A Fé Religiosa – Condição da Fé Inabalável
EXPERIÊNCIA RELIGIOSA DA FÉ E DESENVOLVIMENTO HUMANO
Daniela Martins Pereira
Estudo
diz que fé religiosa diminui ansiedade e erros em
teste cognitivo.
O
Espiritismo - A Fé Raciocinada - José Reis Chaves
Vivos!
- A Fé Cristã
Dogma
– Wikipédia
Dicionario Informal
Gonzaguinha
- Nunca Pare de Sonhar







